As palavras não são inocentes, como amiúde recorda-nos o sociólogo Elísio Macamo. Se não estou a interpretá-lo mal, Macamo quer com isso convidar-nos a reflectirmos sobre o que se diz quando se diz para estarmos certos de que os que dizem o que dizem quando o dizem querem justamente dizer isso. Vem isso a propósito da nova expressão que entrou no nosso léxico político: Geração de Viragem. Do que pude me aperceber que por um lado, Geração da Viragem significa geração de moçambicanos em geral e jovens em particular comprometidos com a luta contra a pobreza. Boa cena!
Por outro lado, há uma outra definição que começa a emergir, a saber uma geração de jovens que reivindica espaço.
Vamos por partes: lutar contra a pobreza é um objectivo nobre. Todavia, preferia antes se lutasse à favor do bem estar individual. Há quem possa dizer que as duas coisas significam o mesmo. Duvido e muito. Tenho para mim que a pobreza é algo muito complexo que sempre vai existir e que nenhuma luta acaba com ela. Quanto ao bem estar, penso que cada um de nós pode dizer o que isso encerra. Além disso, promoção do bem estar tem um sentido mais positivo do que lutar contra a pobreza.
Sou de opinião que se criasse um ambiente favorável à promoção do bem estar individual do que da eliminação da pobreza. Hei-de voltar a este ponto adiante e a sua relação com a Geração da Viragem! Ora, quero concordar com os “geracionistas” de que a história é fundamentalmente definida por certos marcos importantes que podem representar rotura. Mas quero desde já ressalvar que não é menos verdade que a consciência do nacionalismo foi o culminar da soma das partes; desde os movimentos localizados proto-nacionalistas até à acção libertária dos nacionalistas. Há aqui uma sucessão de causas que descambam na acção libertária.
Assim, os marcos apresentam-se então como faróis para iluminar as várias etapas da nossa história, mas seria desonestidade intelectual pensarmos que surgem do nada. Dizer o contrário para subestimar o papel dos proto-nacionalistas é pedir que suspendamos a razão. Não é por acaso que, por exemplo, no vizinho Zimbabwe estabeleceu-se desde a independência uma ligação causal entre a proto-nacionalista Mbuya Nehanda (uma mulher curandeira que foi instrumental na organização da resistência contra o jugo colonial durante a primeira Chimurenga de 1896-7) e o movimento de libertação daquele país - até hoje os movimentos de libertação do Zimbabwe e o nome dela são evocados no mesmo fôlego.
Por outro lado, há uma outra definição que começa a emergir, a saber uma geração de jovens que reivindica espaço.
Vamos por partes: lutar contra a pobreza é um objectivo nobre. Todavia, preferia antes se lutasse à favor do bem estar individual. Há quem possa dizer que as duas coisas significam o mesmo. Duvido e muito. Tenho para mim que a pobreza é algo muito complexo que sempre vai existir e que nenhuma luta acaba com ela. Quanto ao bem estar, penso que cada um de nós pode dizer o que isso encerra. Além disso, promoção do bem estar tem um sentido mais positivo do que lutar contra a pobreza.
Sou de opinião que se criasse um ambiente favorável à promoção do bem estar individual do que da eliminação da pobreza. Hei-de voltar a este ponto adiante e a sua relação com a Geração da Viragem! Ora, quero concordar com os “geracionistas” de que a história é fundamentalmente definida por certos marcos importantes que podem representar rotura. Mas quero desde já ressalvar que não é menos verdade que a consciência do nacionalismo foi o culminar da soma das partes; desde os movimentos localizados proto-nacionalistas até à acção libertária dos nacionalistas. Há aqui uma sucessão de causas que descambam na acção libertária.
Assim, os marcos apresentam-se então como faróis para iluminar as várias etapas da nossa história, mas seria desonestidade intelectual pensarmos que surgem do nada. Dizer o contrário para subestimar o papel dos proto-nacionalistas é pedir que suspendamos a razão. Não é por acaso que, por exemplo, no vizinho Zimbabwe estabeleceu-se desde a independência uma ligação causal entre a proto-nacionalista Mbuya Nehanda (uma mulher curandeira que foi instrumental na organização da resistência contra o jugo colonial durante a primeira Chimurenga de 1896-7) e o movimento de libertação daquele país - até hoje os movimentos de libertação do Zimbabwe e o nome dela são evocados no mesmo fôlego.




