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Mundial de Futebol 2010: Um sucesso sem igual

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Fora dos relvados,  é preciso reconhecer que o verdadeiro Campeão do Mundial de Futebol 2010 é a África do Sul. O país acabou de demonstrar o que vale, e o que com determinação, sentido de propósito, boa administração  e um pouco de recursos qualquer país pode alcançar. Contrariando o receio que veio de muitos quadrantes, incluindo dentro da própria África do Sul, ninguém foi morto, ninguém foi violentamente assaltado, e ninguém foi raptado. O receio não era injustificado. A África do Sul é uma das sociedades mais violentas do planeta. E os ataques xenófobos do ano passado contribuíram para uma atitude de maior pessimismo.

E as informações de alegadas bases de grupos terroristas em Moçambique, que se preparavam para cometer crimes durante a prova só podem ter tido valor por terem obrigado  as autoridades sul africanas a redobrarem os esforços de segurança. Nos estádios, todos eles de classe mundial, o entusiasmo dos adeptos, mesmo depois da selecção anfitriã ter sido eliminada, substituiu-se ao medo da iminência de qualquer catástrofe que podia ocorrer a qualquer momento. De facto, as baixas expectativas e o cepticismo que reinavam em alguns círculos sobre a capacidade da África do Sul de organizar uma boa competição foram a maior virtude que o país teve. Quanto mais a tragédia tardava a chegar, o entusiasmo multicolor, multinacional e multi-racial  tomou conta dos estádios. E o negócio das vuvuzelas nunca mais olhou para trás.
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Mourinho e Valdano, uma relação a seguir

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O argentino quer ganhar e encantar. O português quer ganhar, tudo o resto vem depois. Como correrá esta luta de egos?
Mourinho foi apresentado no Real Madrid com muita pompa e circunstância q. b. Não seria de esperar outra coisa que não um treinador seguro e confiante. Também, de certa forma, humilde. Sabe que chegou ao maior clube do mundo e fez questão de posicionar-se estrategicamente na história: “Eu não tenho história no Real, Raúl tem.”

Primeiro piscar de olho ao peso do Santiago Bernabéu. Alfredo Di Stéfano, presidente honorário do Madrid, esteve na apresentação que Mourinho, e bem, não quis tão espampanante como a de um jogador. No museu do clube o português viu nove taças dos Campeões. Desta vez não se trata de chegar a um Chelsea que não ganhava em casa há 50 anos ou a um Inter que só provara as doçuras da Europa nos idos de 60. Trata-se de chegar onde a exigência está sempre nos limites e cada Liga espanhola não ganha é um fracasso. Cada Champions que não inclua pelo menos final um semi-fracasso.
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África do Sul na febre do Mundial

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A África do Sul atingiu o pico da loucura. No sentido positivo, claro. Chegou a hora do tão esperado Mundial 2010. E para os sul africanos, como anfitriões o entusiasmo só pode ser ultrapassado  pela euforia de terem que votar pela primeira vez com base num modelo anti-racial e democrático. Isso foi no dia 27 de Abril de 1994.
Depois em 1995 veio o Mundial de Râguebi, mas a sua notabilidade ficou ofuscada pela percepção de se tratar de um desporto minoritário. Não é o caso com o futebol.

De repente,  o patriotismo tomou conta de todos: negros, brancos, mestiços, indianos, chineses, etc.  Em cada duas viaturas, pelo menos uma está equipada com aquela bandeira multicolor que representa a Nação do Arco Íris. Aquele som atroz das Vuvuzelas está em todo o lado. É a marca registada do Mundial 2010; uma versão sul africana do Made in Mozambique.

Costuma-se dizer que a verdade é a primeira vítima da guerra. Mas na verdade é a primeira vítima da febre do futebol. Algumas verdades incómodas serão postas de lado durante o Mundial. Ninguém vai querer saber quem ganhou que concurso para a construção de que estádio ou prestação de que serviço. Ninguém vai querer saber que ministro ou funcionário governamental ficou rico com as chorudas comissões. Este é um momento de paz, uma paz imposta pela euforia do futebol. Até a violência da xenofobia foi adiada para depois do Mundial. O Presidente Jacob Zuma já montou uma equipa especial de monitoria para evitar que a partir do dia 12 de Julho jorre sangue inocente e pessoas sejam queimadas vivas.
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Entre a Nação e o partido

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Desesperadamente, a Frelimo tem se desdobrado em esforços para provar que o aparelho de Estado que controla há 35 anos não está partidarizado, que não há células do partido nas instituições públicas. De facto, a persistência de alegações de que a Frelimo dirige o Estado moçambicano como um seu apêndice significa que o assunto já não pode continuar a ser ignorado e simplesmente  posto  de lado como se  tratando de alegações infundadas, construídas por uma oposição que nenhuma contribuição tem a dar para a construção do país.

Na última Sexta-Feira, a Frelimo fez-se valer da sua maioria parlamentar para derrotar uma moção proposta pela Renamo visando a institucionalização de uma comissão de inquérito para averiguar tais alegações. O MDM votou contra a moção por considerar que as alegações são tão óbvias que qualquer investigação seria supérflua.

Por agora, só a Frelimo acredita que o Estado moçambicano não está partidarizado. É compreensível este posicionamento defensivo. Precisamente porque as acusações são apontadas na sua direcção, a Frelimo vai fazer tudo para tentar provar que não há nenhum fundo de verdade nestas alegações. O que tacticamente aconselharia o partido a aceitar a proposta da comissão de inquérito. Ao não aceitar, a Frelimo atingiu precisamente os objectivos contrários dos que possivelmente pretendia; admissão de culpa. A recusa em aceitar a realização do inquérito será interpretada como um passo para evitar a descoberta da verdade. Mas em todo este debate filosófico esconde-se uma realidade que deve ser reconhecida com honestidade, o que  também ajudará a encontrar as soluções mais ajustadas.
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