savana

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Mensagem do Conselho de Administração da mediacoop SA na cerimonia funebre realizada hoje(14.05.2012) em honra de Alirio Chiziane, accionista da empresa, fotojornalista do jornal "SAVANA"

Joao_ChizianeQueridos amigos e familiares do Alírio Chiziane,
Caros colegas,
Querida Bela,
Querida Nídia,

Nestes rituais a que cada vez com mais frequência nos fazemos presentes, é habitual fazer o elogio, no caso vertente da imagem, fazer também o retoque, de laboratório ou de computador, para que a fotografia saia bonita.

Porém, nestes dias algo amargurados por que passa o jornalismo moçambicano, podemos tratar este “shot” a corpo inteiro, porque os factos falam mais alto que os truques de luz e sombra.

Estamos a falar de um homem com um legado determinação, coragem e de um enorme talento.

O seu portfolio profissional fala por si. Quando a fome e a seca eram sobretudo palavras e propaganda para atrair ajuda alimentar para o país, as imagens do Alírio foram o murro violento no estômago que nos colocaram, infelizmente,  no mesmo patamar das fomes do Biafra e da Etiópia.

O seu percurso profissional começou na AIM do Carlos Cardoso. Ao contrário da maioria dos jovens que na altura metia requerimento para arranjar um emprego nas instituições do Estado, a Alírio chegou porque queria ser fotógrafo. Aceitou acertar o passo com outros jovens e menos jovens que faziam a sua iniciação pela mão do nosso companheiro solidário Anders Nilsson.

A sua determinação, tenacidade e facilidade de assimilação depressa o tornaram uma “pequena estrela” no universo do que podemos considerar o primeiro lote de continuadores da escola de Ricardo Rangel e Kok Nam formados a partir da Agência: o António Muchave, o Lázaro Alfredo e o Sérgio Santimano. Provavelmente os herdeiros da novíssima fotografia moçambicana, o Mauro Pinto, a Solange Santos e o Filipe Branquinho se revejam actualmente no trabalho talentoso e profissional deste grupo do pós-independência.

E como os desafios não eram apenas as emoções do “click” por detrás da máquina, o Alírio foi também dos primeiros a assinar a demanda pela liberdade de imprensa em Moçambique, um documento que em 1990 levava o título de “O Direito do Povo à Informação”.  Sempre com a mesma determinação, em 1992, abandonou o conforto do Estado para formar um novo espaço de liberdade em Moçambique, uma cooperativa de jornalistas que queriam ver na prática o que a Constituição do país garantia.

O Alírio e os seus companheiros de aventura pagaram caro o atrevimento. As perseguições e as expulsões compulsivas que marcaram a criação da mediacoop,  mais que um acto administrativo, são um vergão político que permanece até hoje. Como o “oito”, a famosa fotografia do Ricardo Rangel.

Pergunta

Já alguma vez reclamou IRPS? Se sim, alguma vez lhe pagaram?
 

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A gente ama com o quê? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Carlos   
Sexta, 29 Abril 2011 14:38
Acontecem-me coisas absolutamente incríveis:
Quando eu era criança e adolescente fazia chichi na cama e tinha que fugir logo de manhã para ir a praia e não apanhar porrada com a minha mãe.
Era pecado mijar na cama.
Primeiro porque não bem cama, era uma esteira e a esteira é feita de bambu e bambu apodrece facilmente com ácido úrico e depois a roupa de cama não era assim tão abundante.
Eu levava tchaia com a minha mãe.
Mas não foi isso que me curou da doença de fazer chichi na cama.
Mais tarde na maturidade isso continuou sobre outra forma, que era sonhar a fazer amor com outras mulheres e ejacular na cama.
Acontece que os lençóis da minha cama eram brancos.
No dia seguinte tinha os lençóis molhados com uma nódoa amarela e eu a morrer de vergonha perante a minha mulher e os meus filhos.
Hoje já não me acontece muito isso.
Mas continuo a ser uma pessoa que sonha acordada sobre coisas que sei que nunca vão acontecer.
Em suma sou um lunático.
Mas gosto muito de ser como sou.
O que não é fácil.
Há pessoas que olham para mim e não conseguem compreender a razão do meu amor pela minha solidão: eu gosto muito da minha mulher, gosto muito dos meus filhos mas nunca lhes digo porque o amor não se confessa.
O amor é como o Luto: morreu o meu pai, morreu a  minha mãe e perdi dois irmãos mas nunca andei de roupa preta.
Acho que é uma estupidez usar roupa preta pela morte de uma pessoa que a gente ama.
A gente não ama com a roupa.
A gente não sofre com a roupa.
O coração não ama.
O coração é um músculo que foi feito para bombar sangue pelo resto do corpo.
A gente ama com o quê?