| Bandidos testam eficiência de Jorge Khalau | | Versão para impressão | |
| Savana - Tema da Semana | ||||
| Quinta, 25 Fevereiro 2010 10:49 | ||||
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Depois de um breve período de aparente acalmia, a onda de assassinatos de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), sobretudo de investigação Criminal (PIC), volta a agitar a capital moçambicana. Numa operação que “cheira” a vingança, ajuste de contas e que representa um verdadeiro teste à eficiência do comandante geral da PRM, Jorge Khalau, dois agentes da PIC foram brutalmente assassinados por indivíduos até ao momento desconhecidos. Já na tarde desta quarta-feira, um outro membro da PRM foi ferido quando uma quadrilha de cinco agentes assaltou uma dependência do Standard Bank.
Segunda-feira, 15 de Fevereiro, cerca das 15 horas, na zona nobre da cidade de Maputo, a sensivelmente 500 metros da Presidência da República, mais um polícia, caiu nas malhas dos criminosos. Ricardo Mondlane, agente da PIC na capital do país foi abatido com 7 tiros. Antes deste, um outro membro da PIC, cuja identidade não conseguimos apurar, tinha sido assassinado no último sábado, junto ao Jardim 28 de Maio, (Jardim dos “Madjermane”), no Alto Maé. Falando concretamente do segundo caso, Dias Balate, director da PIC na cidade de Maputo, contou à imprensa que tudo aconteceu quando o finado recebeu uma chamada telefónica solicitando-o para um suposto encontro na zona da marginal de Maputo. Bastante limitado, Balate referiu que era prematuro avançar com qualquer pormenor sobre o que teria acontecido, reservando para um outro momento esclarecimentos sobre o assunto. Estranhamente, o agente em causa, mesmo ciente da sensibilidade do seu trabalho, não comunicou o caso aos colegas e fez-se ao local sozinho, facto que supostamente terá facilitado a acção dos malfeitores. No local, Ricardo Mondlane foi surpreendido por fogo vindo de uma viatura do tipo mini-“bus” de marca Toyota Coaster. Dizem que três indivíduos munidos de AKM terão disparado à queima roupa para o agente e logo puseram-se em fuga, sem dar chances aos transeuntes de identificar mesmo a matrícula da viatura assaltante. Embora com alguma prudência, Balate tentou relacionar o crime com um acto normal de uma acção crimi-nosa. Até à noite desta quarta-feira, a Polícia ainda não tinha conseguido apurar os motivos do crime e muito menos capturar os criminosos. No entanto, o SAVANA tem informações segundo as quais a morte de Ricardo Mondlane é resultado de traições, vingança e ajuste de contas. De acordo com as nossas fontes, Mondlane pertencia a uma equipa especial da PIC que se dedicava à busca e captura de criminosos, razão pela qual, e devido à delicadeza do seu trabalho, não se entende até ao momento, as motivações que fizeram com que este se dirigisse ao local sem a companhia dos colegas. A atitude de Mondlane, segundo as nossas fontes, mostra claramente que a sua missão naquele local não podia estar ligada ao seu trabalho. Chantagens, extorsões têm sido o normal desta brigada, já que no seu dia-a-dia, se dão com criminosos que movimentam muito dinheiro e bens de alto valor resultante das suas acções. Muitas vezes, os agentes socorrem-se destes criminosos para angariar algum dinheiro e em troca recebem protecção e informações acerca das estratégias operativas da PRM. Afirma-se que no meio deste grupo, há disputas entre os agentes pelo controlo das quadrilhas criminosas mais fortes. Contam-nos que terá sido nessa vertente que Ricardo Mondlane caiu na emboscada dos bandidos. É que, Mondlane sendo um polícia profissional dificilmente podia se deixar levar por uma chamada telefónica qualquer. Se se deslocou ao fatídico local é porque, alguém dos seus amigos-colegas na polícia lhe chamou até ao local (traição) ou porque tinha plena confiança em relação aos criminosos que se supõe terem sido os autores da chamada telefónica. Assalto à dependência do Standard Bank Já no fim da manhã desta quarta-feira, um grupo de cinco indivíduos, munidos de armas de tipo AKM, assaltaram uma dependência do Standard Bank, localizada na baixa da cidade de Maputo e roubaram dinheiro. No assalto, um agente da polícia de protecção que garantia segurança no local foi ferido pelos criminosos. Depois de conseguir os seus intentos, os meliantes puseram-se em fuga tendo deixado parte das armas no local do crime. Até à tarde desta quarta-feira, a direcção do Standard Bank não tinha divulgado o valor roubado. O desespero de Pedro Cossa Mesmo com a morte de dois agentes da PRM num espaço de dois dias, Pedro Cossa veio a público dizer que a situação da criminalidade não é má e o gráfico está a decrescer de forma drástica com relação aos crimes violentos. Sem conseguir disfarçar a emoção, Cossa tranquilizou os cidadãos referindo que as pessoas circulam 24 horas por dia sem muitos problemas. Sublinhou que as equipas estão a trabalhar no sentido de controlar a situação. Cossa contou que a PRM ainda não dispõe de informações relevantes que possam levar a corporação a en-contrar e responsabilizar os assassinos dos agentes da PIC. Contudo, garantiu aos jornalistas que a corporação não descansa enquanto não conseguir mandar para as celas as gangues criminosas que têm estado a semear pânico nos últimos dias na capital. O alvo dos últimos dois dias estava direccionado a agentes policiais especializados no ramo de investigação, o que é interpretado como regresso à chacina policial de 2007 em que, num curto espaço de tempo, vários agentes de duas principais brigadas policiais de combate ao crime (Mamba e Rio) foram assassinados por gangues criminosas. Sobre as reais motivações do crime, Cossa não aceitou avançar quaisquer dados, tendo apenas dito que a polícia estava a trabalhar a todo o vapor para esclarecer o caso, o que, no seu entendimento, passa por obrigar os culpados, a pagar pelas acções que perpetraram, nem que, para o efeito, seja necessário percorrer o mundo. Teste a Khalau O assassinato de dois agentes da PIC verifica-se numa altura em que Jorge Khalau acaba de completar um ano na direcção do comando geral da PRM. Para algumas correntes da sociedade moçambicano estes actos representam um verdadeiro teste à eficiência do reinado de Khalau e que de hoje em diante deverá tomar medidas sérias e duras no sentido de não cair no abismo de Custódio Pinto. Lembre-se que Custódio Pinto dirigiu o comando geral durante dois anos e meio e foi substituído por Jorge Khalau. Foram dois anos e meio de muita tensão caracterizada por assaltos às esquadras e aos bancos, detonação de caixas automáticas dos bancos, assassinatos de polícias e de cidadãos, exumação de corpos para fins obscuros, tráfico de pessoas e fugas estranhas dos presos. Na altura, falou-se de sabotagens montados por “colossos” da polícia que se viam humilhados pelo facto do Presidente da República os ter ignorado a favor dum elemento das Forças Armadas que no seu entender conhece muito mal os meandros da PRM, razão pela qual optaram pelo isolamento. Assassinatos Nos últimos três anos cerca de três dezenas de agentes da PRM, mais concretamente das brigadas especiais, foram brutalmente assassinados na praça pública. Embora as autoridades declarem uma perseguição cerrada aos assassinos, momentos depois de um deter-minado acto criminoso se consumar, até ao momento nenhum indivíduo foi detido, julgado e condenado em conexão com estes crimes. Os assassinatos em massa de agentes da PRM começaram a ganhar terreno em meados de 2007.
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