Queridos amigos e familiares do Alírio Chiziane,
Caros colegas,
Querida Bela,
Querida Nídia,
Nestes rituais a que cada vez com mais frequência nos fazemos presentes, é habitual fazer o elogio, no caso vertente da imagem, fazer também o retoque, de laboratório ou de computador, para que a fotografia saia bonita.
Porém, nestes dias algo amargurados por que passa o jornalismo moçambicano, podemos tratar este “shot” a corpo inteiro, porque os factos falam mais alto que os truques de luz e sombra.
Estamos a falar de um homem com um legado determinação, coragem e de um enorme talento.
O seu portfolio profissional fala por si. Quando a fome e a seca eram sobretudo palavras e propaganda para atrair ajuda alimentar para o país, as imagens do Alírio foram o murro violento no estômago que nos colocaram, infelizmente, no mesmo patamar das fomes do Biafra e da Etiópia.
O seu percurso profissional começou na AIM do Carlos Cardoso. Ao contrário da maioria dos jovens que na altura metia requerimento para arranjar um emprego nas instituições do Estado, a Alírio chegou porque queria ser fotógrafo. Aceitou acertar o passo com outros jovens e menos jovens que faziam a sua iniciação pela mão do nosso companheiro solidário Anders Nilsson.
A sua determinação, tenacidade e facilidade de assimilação depressa o tornaram uma “pequena estrela” no universo do que podemos considerar o primeiro lote de continuadores da escola de Ricardo Rangel e Kok Nam formados a partir da Agência: o António Muchave, o Lázaro Alfredo e o Sérgio Santimano. Provavelmente os herdeiros da novíssima fotografia moçambicana, o Mauro Pinto, a Solange Santos e o Filipe Branquinho se revejam actualmente no trabalho talentoso e profissional deste grupo do pós-independência.
E como os desafios não eram apenas as emoções do “click” por detrás da máquina, o Alírio foi também dos primeiros a assinar a demanda pela liberdade de imprensa em Moçambique, um documento que em 1990 levava o título de “O Direito do Povo à Informação”. Sempre com a mesma determinação, em 1992, abandonou o conforto do Estado para formar um novo espaço de liberdade em Moçambique, uma cooperativa de jornalistas que queriam ver na prática o que a Constituição do país garantia.
O Alírio e os seus companheiros de aventura pagaram caro o atrevimento. As perseguições e as expulsões compulsivas que marcaram a criação da mediacoop, mais que um acto administrativo, são um vergão político que permanece até hoje. Como o “oito”, a famosa fotografia do Ricardo Rangel.
| Malema e Zuma reúnem suas tropas* — Amigos e inimigos Presidenciais a purgar intensamente suas facções e a utilizarem todas as armas à sua disposição armas à sua disposição |
| Escrito por redaçao |
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Estão em curso violentas purificações no Congresso Nacional Africano e seus afiliados, paralisando o Governo e as próprias organizações. As limpezas são recíprocas, tanto entre opositores como apoiantes da candidatura do Presidente Jacob Zuma para um segundo mandato como líder do ANC e como Presidente da República (Africa Confidencial, Vol 52 No 18, Desrespeito pelo Presidente & AC Vol 52 No 19, O combate do século). A amargura é maior porque ele aparenta estar a afastar antigos aliados que o apoiaram a derrubar o ex-Presidente Thabo Mbeki mas se voltaram contra a candidatura ao segundo mandato que Zuma prometeu não apresentar. Zuma declarou a 18 de Outubro que, antes da Conferência Nacional do ANC em 2007 na qual ele assumiu a liderança do partidão, alguém tentou assassiná-lo mas a trama foi desfeita por um guarda-costas que morreu semana passada. Apenas Zuma e o falecido guarda-costas parecem ter sabido da trama. O antigo chefe de comunicações do ANC Smuts Ngonyama, um apoiante de Mbeki, considerou que as alegações eram “ridículas’’ e a polícia devia investigar se realmente houve uma conspiração. Alguns dizem que Zuma está a preparar-se para lançar os serviços de segurança sobre os seus opositores. O combate feroz do Presidente é com a Liga Juvenil do ANC (ANCYL) e seu líder Julius Malema, um ponto de partida para os antigos aliados de Zuma. Enquanto espera pelos resultados das acusações disciplinares contra si, Malema apresenta-se como um combatente pelos pobres contra Zuma e o establishment. Zuma instigou às acusações disciplinares após Malema assustar investidores ao apelar para a nacionalização das minas (contrariando a política do partido) e apelar para a mudança de regime no vizinho Botswana. Malema retardou as audiências, pressionando aliados e mobilizando apoio entre os desempregados, pobres e os jovens. Após alegar “sintomas de gripe”, ele internou-se num hospital, transformando este em seu quartel-general político. Após a última audição, que foi sendo adiada até 26 de Outubro, Malema assegurou o testemunho positivo de pesos-pesados do partido contra acusações de que ele trouxe má reputação ao ANC. Sejam quais forem as suas opiniões particulares sobre Malema, esta foi uma oportunidade imperdível para eles atacarem Zuma. Winnie Madikizela-Mandela criticou-o severamente por “actuar sozinho” sem consultar os líderes do partido. O Ministro dos Assentamentos Humanos Mosima Gabriel ‘Tokyo’ Sexwale disse que o ANC já aceitou no passado pedido de desculpas de Zuma e seu porta-voz Jackson Mthembu, mas recusou fazê-lo para com Malema. O pedido de desculpas de Zuma foi por ter praticado sexo desprotegido com uma mulher seropositiva, o de Mthembu por conduzir sob efeito de álcool e nenhum deles enfrentou uma audição disciplinar. Os argumentos finais da audição de Malema estavam marcados para serem ouvidos a 3 de Novembro. Planos para uma era pós-Zuma Os principais rivais de Zuma, Tokyo Sexwale e O Vice Presidente Kgalema Motlanthe, estão a tentar um arranjo para que Motlanthe possa ser presidente de mandato único, Sexwale seu vice e Paul Mashatile, Premier (equivalente a Governador) e líder provincial de Gauteng, seja presidente nacional do ANC. Eles poderão oferecer a vice-presidência a Lindiwe Nonceba Sisulu, Ministra da Defesa e aliada de Zuma. Sisulu e Sexwale, todavia, não se dão bem. Uma tirada anti-Zuma irrompeu do Secretário Geral do Congresso dos Sindicatos dos Trabalhadores da África do Sul (COSATU), Zwelinzima Vavi, que afirmou haver no ANC uma paralisia de liderança e avisou que o país está em perigo de ‘implodir’. Ele criticou o ‘discurso duplo’ de Zuma sobre questões económicas. No último ataque a Malema, a unidade especial da polícia conhecida como os ‘Hawks’ (Falcões em português) e o Serviço Tributário da África do Sul pretendem mover contra si acusações relacionadas com alegações de que terão sido inapropriadamente atribuídos contratos a empresas nas quais ele tem um interesse. Ele afirma-se disposto a ‘explicar tais alegações diante de um magistrado’. Acredita-se amplamente que a sua Trust familiar, a Ratanang (cujos lucros diz-se beneficiarem alguns líderes seniores do ANC) terá influenciado na adjudicação de contratos governamentais na Província de Limpopo. Malema certamente vive bem. Logo após a sua marcha pela ‘liberdade económica’ para os pobres, ele viajou, com todas as despesas pagas, para as Maurícias para a boda de casamento avaliada em 10 milhões de randes (1.25 milhão de dólares americanos) do seu aliado David Mabilu, um magnata da imobiliária. Outro alvo de Zuma e seus apoiantes é o Ministro dos Desportos Fikile Mbalula, o favorito da Liga Juvenil para substituir Gwede Mantashe como Secretário Geral do ANC. Mbalula foi forçado a desculpar-se à sua família após os media terem sido informados sobre a sua noite de paixão com uma modelo. Outro escândalo do ANC poderá emergir a 7 de Dezembro, altura em que o Presidente prometeu divulgar um novo relatório sobre negociatas com o governo Iraquiano enquanto este estava sob sanções das Nações Unidas. O relatório preliminar, conduzido pelo advogado Michael Donen, centrou-se em ‘acusações’ de que em 2004, dois inimigos de Zuma no topo do ANC facilitaram a transferência de dinheiro do governo do falecido Saddam Hussein para uma para-estatal Sul-Africana e daí para uma outra conta utilizada pelo ANC. Donen avisou que não pretendia que este novo relatório fosse publicado antes de se concluírem os inquéritos. Motlanthe e Sexwale ainda não foram entrevistados: ambos negaram formalmente as acusações, apesar de terem reconhecido que se encontraram com dirigentes no Iraque. Opositores de Zuma no ANC consideram que o Presidente pretende utilizar o relatório para desacreditar a dupla. ‘É crucial que a informação seja divulgada no domínio público pelas razões correctas e não como um meio de combater batalhas políticas internas,’ afirmou o antigo líder parlamentar da Aliança Democrática, Athol Trollip. Zuma parece estar a afastar igualmente oficiais seniores da segurança suspeitos de se oporem ao seu segundo mandato. O primeiro a sair foi Gibson Njenje, chefe da Agência Nacional de Inteligência (NIA), a secção doméstica da Agência de Segurança do Estado (SSA). Ouvimos que ele recusou uma ordem de espionar opositores de Zuma e outra de cortar a vigilância sobre aliados íntimos de Zuma, a família Gupta. O Ministro da Segurança do Estado C. Siyabonga Cwele, um médico, deu-lhe um aperto de mão dourado que incluiu três anos de salário. Njenje é próximo de Malema e alinhado com o bloco ‘nacionalista Africano’ do ANC, o qual inclui Tony Yengeni, antigo Capataz Chefe do partido, Billy Masetlha, antigo chefão da NIA, e Madikizela-Mandela, ex-esposa do Presidente Nelson Mandela. Eles apoiaram Zuma contra Mbeki mas alegam que ele não cumpriu suas promessas. Alguns dos membros do bloco apoiam Motlanthe para candidato presidencial do ANC, outros defendem Sexwale. Quando surgiram apelos para a renúncia de Cwele após a condenação da sua esposa, Sheryl Cwele, em Maio por tráfico de droga, Zuma protegeu o seu aliado. Cwele quer agora afastar o Director Geral da Segurança de Estado, Jeff Maqetuka, e Rieaz ‘Moe’ Shaik, chefe da Secção Estrangeira do SSA. Um aliado de Zuma, Shaik desentendeu-se com Cwele sobre a manipulação das agências de inteligência. Eles concederam conselhos de politica conflitantes a Zuma, cada um culpando outro quando as coisas deram errado. Cwele não engole o domínio que Shaik e sua família têm sobre Zuma mas Shaik acredita que Zuma deveria ter dado um perdão total ao seu irmão Schabir Shaik pela sua condenação em 2005 por suborno no famoso negócio de armamento. Os Shaiks sentem que eles foram suplantados na afeição de Zuma pelos nouveau riche (novos ricos), incluindo os Guptas. Zuma deverá oferecer a Moe Shaik uma posição diplomática - segundo ouvimos. Guerra secreta Antes da conferência de 2007 em que Zuma triunfou sobre Mbeki, facções rivais utilizaram as agências de inteligência para empreender suas batalhas. Aliados de Zuma nos serviços de Investigação de Crimes na polícia vazaram para o seu advogado, Michael Hulley, gravações de agentes anti-corrupção discutindo formas de manipular o caso contra ele. O vazamento ajudou Zuma a escapar de condenação. Oficiais de Inteligência grampeiam telefones privados, e-mails e mensagens de texto, disseram à Africa Confidential fontes da segurança. No princípio de Outubro, Maqetuka disse numa sessão do Parlamento a porta fechada que há uma percepção de que o SSA ‘entrou em um estado de crise e paralisia’. Zuma e seus aliados acreditam que o Comissário Nacional do Serviço da Polícia Sul-Africana, Bheki Cele, está alinhado na defesa de Sexwale. Em Julho, um relatório do Protector Público, Thuli Madonsela, descobriu que Cele assegurou incorrectamente concessões de espaço de escritório para uso pelo SAPS; ele está agora suspenso à espera de inquérito judicial. O antigo Vice Comissário Nacional da Polícia Hamilton Hlela foi igualmente implicado nos relatórios do Protector Público, demitido e indemnizado em 2 milhões de randes. Cele e Hlela negam qualquer má prática Zuma destituiu o Ministro das Obras Públicas Gwendoline Mahlangu-Nkabinde, que foi igualmente implicado no negócio, e afastou ainda o Ministro de Governação Cooperativa Sicelo Shiceka, criticado por Madonsela por gastar dinheiro público em actividades como visitar uma namorada numa prisão Suiça e mentir sobre isso. Ambos negam as acusações. O antigo chefe da Investigação de Crimes em Gauteng, Joey Mabasa, pró-Mbeki, foi afastado após uma investigação de alegado suborno e corrupção. Sua indemnização foi de mais de 3 milhões de randes. O chefe da Polícia de Investigação Criminal Richard Mdluli enfrenta acusações de homicídio e alega que perseguição de opositores políticos. Ele disse a Zuma que Cele e outros, especialmente no KwaZulu-Natal (KZN), mudaram-se para a ala de Sexwale. Nas províncias, ambos os campos estão a purgar um e outro, especialmente em KZN, Limpopo, Eastern Cape e Gauteng. No seu nativo KZN, Zuma tem estado ocupado fazendo discursos; o líder provincial do partido Zweli Mkhize, acusado de mudar de lado para se juntar a Sexwale, insiste que ele não está contra Zuma. No entanto, Mdluli defende em documentos no tribunal que Mkhize tem ‘conspirado’ para derrubar a liderança de Zuma. Dois dos mais altos dirigentes do ANC na provincial estão sob caução de 100,000 randes por alegadamente adjudicarem a preços inflacionados contratos de 42 milhões de randes para abastecimento a hospitais. Seus apoiantes estão fulos que Zuma não tenha travado a investigação da Autoridade Nacional de Acusação. O Eastern Cape parece ligeiramente dividido entre apoiantes e rivais de Zuma, com a ANCYL contra si. No Limpopo, seus aliados tentaram desalojar o Premier are trying to dislodge, Cassel Mathale, pró-Malema. Mantashe pretende impedir que a conferência provincial do partidão tenha lugar em Dezembro, por receio de que Mathale e a facção Malema vencerão. A facção Zuma-Mantashe quer substituir Mathale com Joe Maswanganyi, Secretário provincial do ANC no Limpopo. Em Gauteng, a liderança nacional do ANC resiste defendendo que a provincial deve apoiar Motlanthe para a presidência do partido. O dirigente do comité de organização do ANC em Joanesburgo, Louis Ramono, denunciou haver manipulação fraudulenta das listas de membros. O Secretário da Província de Gauteng David Makhura alegou que assaltos a carros de transporte de valores são utilizados para financiar batalhas faccionais. Líderes rivais do ANC na região de Tshwane realizaram conferências a favor de e contra o Presidente. Na ANCYL, Malema está a conduzir a sua própria purgação. A Liga planeia marchar contra a ‘ganância capitalista’, ligando-se ao movimento global Ocupar Wall Street e retratando Zuma como uma marioneta dos grandes negócios. Outro ataque vem do Tesoureiro do ANC Mathews Phosa. Quando foi recusado o visto a Dalai Lama no mês passado, Phosa acusou Zuma de bajular a China e de depreciar a África do Sul. |