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A Polícia Internacional – INTERPOL não tem registo de qualquer problema relacionado com o empresário moçambicano Momade Bachir Sulemane, recentemente acusado pelo Departamento de Tesouro norte-americano de ser um barão da droga.
Esta declaração foi feita pelo ministro do Interior, José Pacheco, num encontro de trabalho com jornalistas moçambicanos, no qual reiterou que nos cadastros moçambicanos “Bachir tem folha limpa”. Segundo Pacheco, as autoridades moçambicanas entraram em contacto com a INTERPOL, num esforço de busca de evidências que sustentem a integração de Momade Bachir Sulemane na lista de barões de droga pelo Governo americano. “Temos acordos de cooperação com Washington, mas tomámos conhecimento deste assunto (Bachir na lista de barões da droga) da mesma forma como todos tomaram (via imprensa) ”, frisou Pacheco.
Pacheco reiterou não entender como é que um governo como o dos EUA, que tem boas relações diplomáticas com Moçambique, lança acusações muito graves contra um cidadão moçambicano, sem que antes tenha accionado os mecanismos normais no relacionamento entre dois Estados soberanos, à luz das convenções internacionais. A INTERPOL, segundo Pacheco, é neste momento chefiada por um cidadão norte-americano, sendo um quadro de longa experiencia policial. “Não faz sentido que o governo dos EUA não confie na palavra desta organização policial internacional”, destacou.
Pacheco acrescentou que as autoridades moçambicanas estão a espera da fundamentação das acusações da administração norte-americana para agirem, mas nem com isso deixarão de investigar internamente, tendo concluído que não há nada de anormal contra Bachir nos cadastros nacionais. Lembre-se que três bancos comerciais moçambicanos, designadamente Millennium bim, BCI e Barclays fecharam os seus balcões no recinto do Maputo Shopping Center por conta das acusações feitas contra o empresário moçambicano.
A lei norte-americana contra o narcotráfico impõe que nenhum cidadão ou entidade norte-americana tenha um intercâmbio comercial com os considerados barões da droga estrangeiros, estando previstas sanções contra os prevaricadores. A lei norte-americana que considera Bachir como um traficante de grande escala é de fórum administrativo e não criminal.
Paraíso para criminosos No entanto, INTERPOL considera que Moçambique é hoje um paraíso para actividade de criminosos internacionais e manifestou disposição a enviar um especialista para treinar uma força especial para controlo de fronteiras, visando combater o tráfico de droga e de viaturas. Este posicionamento foi manifestado, nesta terça-feira, por Ronald Kenneth Nobel, secretário-geral da INTERPOL, à saída do gabinete de trabalho do presidente da República, Armando Guebuza. Nobel terminou, nesta terça-feira, uma visita de trabalho de dois dias a Moçambique enquadrada num périplo que está a efectuar por alguns países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Aquele quadro de nacionalidade americana apontou Moçambique como “um dos principais corredores de drogas e mercado de carros roubados na SADC”. Nesta segunda-feira, Nobel manteve um encontro de cortesia com José Pacheco. “Falámos sobre as formas como a INTERPOL pode reforçar a cooperação com Moçambique,na área do controlo de passaporte e, dentro de duas semanas, um especialista estará em Moçambique para treinar uma força especial para controlo de fronteiras”, disse Nobel, à saída do encontro com Guebuza.
“A INTERPOL quer acabar com este problema. O sistema montado poderá detectar a entrada de viaturas e drogas no país”, garantiu. “É importante colocar infra-estruturas e equipamentos para trabalhar, como a internet, mas é preciso também que haja vontade política”, crescentou Ronald Kenneth Nobel. Esta é a primeira visita que um alto representante da INTERPOL efectua a Moçambique desde que o país se tornou membro da organização em 1989. Igualmente, a visita efectua-se cerca de um mês e meio após Washington ter integrado o empresário Momade Bachir Sulemane na lista de “barões da droga”.
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