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O líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, dissolveu, esta quarta-feira, a Comissão Política (CP) do seu partido alegando que pretende imprimir uma nova dinâmica no funcionamento daquela organização política. O acto, que acontece menos de dez meses após a criação do MDM, está a provocar um aparente mal-estar entre alguns membros do partido que se dizem prejudicados com as medidas de Simango, havendo vozes que já comparam os seus métodos com os de Afonso Dhlakama.
Numa altura em que o MDM procura se reorganizar internamente com vista a fazer face ao processo político que se segue, a posição de Daviz Simango está a criar alguma frustração nos dez membros da CP, um dos principais órgãos daquele partido. Algumas vozes de dentro do MDM não concordam com a justificação de Simango, referindo que com a sua decisão o líder pretende afastar alguns membros da Comissão Política que supostamente o impedem de indicar Barnabé Lucas Nkomo para o cargo de Secretário Geral daquela formação política. Fazem parte da Comissão Política do MDM Ivete Fernandes, Geraldo Carvalho, Alcinda da Conceição, Elias Impuire, José Domingos, Albano António, José Lobo, Eduardo da Silva, Abdul Satar e Agostinho Ussores. As fontes do SAVANA dizem que uma parte significativa dos membros da Comissão Política do MDM ora dissolvida voltaram a ser nomeados alegadamente porque a dissolução visava abater três membros da mesma comissão que supostamente têm estado a pautar por um comportamento de insubordinação. Na alegada lista de readmitidos na nova Comissão Política, conforme apurámos das nossas fontes, constam os nomes de Geraldo Carvalho, Eduardo da Silva e José Lobo Rodrigues. As mesmas fontes referem que a posição de Daviz Simango não se difere com a do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que, alegadamente, não respeita e nem consulta a opinião das bases. “O pensamento que norteia os actos de Daviz Simango é próprio de quem quando tem novos amigos afasta os velhos”, declaram as fontes. A atitude do presidente do MDM é vista como sendo dum verdadeiro ditador e contrasta com o princípio democrático defendido pelo partido. Apesar de Daviz Simango ter poderes para demitir e nomear membros da Comissão Política, as nossas fontes acham que este não é o momento oportuno para a tomada de decisões draconianas. Sublinham que terão sido atitudes similares que fizeram com que a Renamo tivesse um fim desastroso. “A Renamo foi um partido que prometia muito, mas porque Dhlakama achou que ele era o senhor todo poderoso e devia fazer tudo o que lhe conviesse acabou ficando sozinho. Hoje, parece que Daviz está a pautar pela mesma linha, isso é mau para o MDM bem como para a democracia moçambicana”, disse. Outras informações relacionadas com o MDM referem que o partido afastou o seu delegado provincial de Manica, Zambézia e Gaza igualmente por “problemas de insubordinação”. Contactado pelo SAVANA na noite desta quarta-feira, Daviz Simango reconheceu ter dissolvido a CP em cumprimento das recomendações da última reunião da CP alargada. Segundo Simango o encontro que analisou o desempenho do partido nas últimas eleições gerais e provinciais concluiu que é necessário fortificar o movimento para encarar os futuros desafios com maior energia possível. Assim, uma das decisões tomadas foi de que devia-se colocar pessoas certas em lugares certos. Em vez de fragilizar o partido, Simango entende que a atitude vai tornar a organização mais dinâmica. Contou ao nosso jornal que as mudanças não se limitaram à CP mas, também às delegações provinciais. Foi o caso da Zambézia, Gaza e Manica. Negou que haja intenção de nomear Bernabé Lucas Nkomo como secretário-geral (SG) além de que este está a chefiar o Departamento de Formação de Quadros. Questionado acerca do provável SG, Simango disse-nos que será conhecido no próximo dia 20 de Fevereiro.
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