|
Savana -
Tema da Semana
|
|
Escrito por Redacção
|
|
Página 1 de 4 Moçambique deve estar preocupado com a queda brusca da inflação dos sete para os três por cento e não ler com triunfalismo os mais recentes pronunciamentos do governador do Banco de Moçambique , Ernesto Gove sobre o tema.
Economistas contactados pelo SAVANA consideram que é errado dizer que a economia moçambicana “resistiu” à crise internacional por algum tipo de solidez, mas sim principalmente devido à sua baixa integração na economia real e no sistema financeiro. Por isso, seria preferível que as conse-quências da crise fossem maiores (significaria que estaríamos mais desenvolvidos, mais integrados na economia internacional, o nosso sistema financeiro mais evoluído e integrado nos grandes fluxos internacionais de capital e a nossa estrutura económica e tecnológica mais moderna – menos economia informal e menos peso do meio rural). Segundo os mesmos analistas, não é verdade que a redução da inflação (deflação) seja consequência de comportamentos positivos da economia mas sim por redução da procura interna, das exportações e da entrada de capitais por abrandamento de alguns grandes investimentos e de políticas orçamentais de sustentação de preços através de subsídios (o que não é sustentável). Tanto mais assim é, que já se anuncia uma recuperação da inflação para níveis semelhantes aos existentes antes da crise. Cabe no entanto dizer que algumas medidas de política orçamental foram tomadas, como por exemplo o aumento de alguns impostos de importação para suster o défice público devido ao aumento dos gastos em consequência dos subsídios, houve uma maior oferta monetária da banca para estimular o investimento e o consumo interno, como forma de contrariar o declínio da procura interna, a taxa de juro nominal baixou um pouco mas não se verificou o mesmo na taxa de juro real, o que quando muito pode produzir um efeito psicológico positivo de curto prazo, levando a investimentos por empresários menos informados e o Banco Central interveio em vários momentos com injecção de divisas com o intuito de não deixar derrapar o metical.
|