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Savana - País
Written by Salane Muchanga   
Tuesday, 24 November 2009 20:28
Reina um ambiente precário na Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO), com epicentro num alegado desvio de fundos da organização por parte da direcção cessante.

Efectivamente, os novos membros da direcção, que tomaram posse sábado últi¬mo, acusam a antiga chefia de desvio de fundos e de nada terem feito para o desenvol¬vimento do grupo, o que resvalou para a desorga-nização da associação. No entanto, o ex-presidente, Manuel Zita, refuta as acusa¬ções. Diz que o valor em discussão foi investido na compra do edifício-sede da AMETRAMO e que o proble¬ma resulta da luta pelo Poder.  
A nova chefia explica que desde que a antiga direcção tomou posse há sensivel¬mente nove anos, a AME-TRAMO ficou sem nenhum valor na respectiva conta bancária. Acusam ainda a ex-chefia de não ter trabalhado para melhorar as condições do edifício-sede que clama por uma reabilitação.
Falando ao SAVANA, Fer¬nando Mate, actual porta-voz, disse que a direcção cessante abandonou a AMETRAMO sem deixar nenhum valor no cofre da instituição, o que, segundo ele, concorreu signi¬ficativamente para a desor¬ganização que reina naquele grupo.
“Os membros pagavam as cotas anualmente, cujo valor era de 100 meticais e para além desse dinheiro a as-socia¬ção tinha outras formas de angariação de fundos. No entanto, actual¬mente, no caixa não há nada”, acusa Mate.
Por seu turno, Fabião Sitoe, que é o actual presidente da Associação que, curiosa¬mente, era responsável pelo conselho fiscal na direcção acusada de desvios de fun¬dos, precisou que “teremos que começar do zero porque as coisas não andam bem na AMETRAMO que já estava quase a desaparecer”.
Sitoe explicou que o grande problema teve origem nas profundas divergências que surgiram entre os membros da direcção, o que impos¬sibilitou o controlo das contas por parte dos outros órgãos.
“Os dirigentes não se entendiam. Havia aqueles que queriam impor as suas ideias, o que criou conflitos insaná¬veis”, disse Sitoe.

O PROBLEMA É A GANÂNCIA PELO PODER
- reage João Manuel Zita, ex-presidente da AMETRAMO

Contactado pelo SAVANA, João Manuel Zita, antigo presidente da associação, refutou as acusações apre-sentadas pelos seus colegas de profissão.
Zita precisou que quando assumiu o cargo, em 2000, a associação não tinha fundos, nem um edifício-sede para a realização dos encontros.
“A associação não tinha fundos e nem uma sede. Eu e os meus colegas de direcção trabalhámos no sentido de conseguir um local para a realização de reuniões a nível nacional”, disse Zita.
O ex-presidente da AME¬TRAMO explicou que o grande problema surge quando em 2001 consegue-se comprar um edifício, para servir de sede do grupo.
“Começaram a surgir vozes que agitavam os membros da associação alegando que houve desvio de fundos. O edifício estava orçado em cerca de 390 mil meticais, mas só conseguimos pagar um valor que se aproxima a 100 mil meticais”, defende-se Zita.
Acrescentou que “pagá¬mos apenas esse valor porque no caixa já não havia fundos, pois parte do dinheiro foi investido na I Assembleia Geral que decorreu em 2000”.
Estes gastos, segundo fez saber o antigo presidente da AMETRAMO, constituíram o ponto principal que provocou conflitos no seio da as¬sociação o que fez com que alguns membros da direcção abandonassem o seus cargos.
“O problema é a ganância pelo poder, pois as pessoas provocavam conflitos e não queriam olhar para os estatu¬tos da associação nem perce¬ber melhor como é que eram feitos os gastos”, observou Zita.   
Porém, apesar de alguns membros da direcção terem colocado os seus cargos à disposição e os conflitos que houve, Zita diz que “eu não abandonei a associação. O meu estado de saúde é que me obrigou a delegar o meu cargo ao vice-presidente, pois sofro de hipertensão”.
“Mesmo depois disso con¬tri¬buí para que se realizasse a II Assembleia Geral que culminou com a eleição de novos dirigentes”, precisou Zita.
Desafios para a associação
Todavia, a nova direcção diz ter planos para minimizar os problemas da associação, a começar pela reabilitação do edifício-sede e da orga¬nização do grupo.
“Esperamos conseguir reabilitar a sede durante os próximos seis meses”, tranqui¬liza a vice-presidente da AMETRAMO, Olga Mas¬san¬go.
Outros desafios que a associação tem, segundo Massango, são de “acabar” com charlatães, que se dizem capazes de curar enfer¬midades, tidas como incu¬ráveis (SIDA), e que afirmam serem membros filiados à AMETRAMO.
A AMETRAMO foi regis¬tada oficialmente em 1992. A direcção não sabe precisar o número de membros, mas estima em cerca de 16 mil filiados a nível nacional.
 

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