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Um pedaço de terra prometida em Cabo Delgado - A mina do pai Tomás

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images2Poeira, poluição sonora, álcool, suruma, prostitutas, uma babilónia de línguas fazem de Namanhumbir um local único em Moçambique. O comércio funciona sem parar, o garimpo do rubi traz os jovens de olhar incandescente e muita força nas pernas para fugir às balas da polícia. A internet celebra as gemas vermelhas de Montepuez e diz que elas vão destronar rapidamente as pedras asiáticas.

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Lá em casa sou eu que ponho calças

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Nunca gostei de mulheres que não trabalham e que deixam os seus maridos a trabalharem sózinhos por isso que estou aqui; Aliás o meu marido é professor, mas o dinheiro que recebe vi que não ajudava para a gente alcançar aquilo que a gente queria , afirma Atija Martinho, a representante das mulheres que exercem garimpo no inferno de Mavuco.
Ela defende que o maior ganho para as mulheres é desafiar os preconceitos de realização de actividades consideradas de risco e cujas mulheres não são capazes de fazer.
Atija Martinho fazia aqueles pronunciamentos depois de ser abordada pelo SAVANA sobre qual era o seu papel num grupo de homens e numa actividade considerada de muito risco. Sorri e atira com confiança: “o maior desafio das mulheres hojé é atingir os patamares que os homens atingiram e cada uma das pessoas faz a sua parte e tenho visto muitas mulheres a procurarem emprego nas diversas instituições mas aquilo é para as que estudaram e no grupo da minha pessoa, tenho que ter outro desafio por isso que estou aqui”
Atija, avançou que está a exercer aquela actividade de garimpo há três anos, e neste momento acha mesmo que a sua vida está a melhorar
Atija diz que a razão de exercer aquela actividade é por constatado que o salário que o esposo aufere não ajudava com as despesas caseiras, daí que  propôs ao seu parceiro para que podesse exercer a actividade de compra e revenda de pedras semi preciosas.
“Quando comecei muitos chamaram-me nomes que não posso citar e até foi informado o meu esposo de coisas que não faziam parte da minha pessoa, mas como de princípio estávamos estrategicamente desenhados, ninguém conseguiu nos destruir, o que era a intenção de muitos e muitas que me conhecem” diz  Atija.
“ Tenho aqui seis pessoas que trabalham para mim e dou alimentação
todos os dias e quando conseguem pedras vendem a mim, diz Atija no papel do “boss”.
A nossa entrevistada foi mais longe ao afirmar que para além do negócio que está  a realizar,  já comercializou milho, amendoim, e outros produtos alimentares, mas nota uma forte melhoria na venda e compra de pedras preciosas, um negocio espectacular e ganhador.
Sobre onde, como e a quem vende as suas pedras, ela diz não ter escolha. Para moçambicanos, para estrangeiros, na cidade de Nampula ou em Mavuco. A grande chatice é que aluguer de uma motorizada para Chalaua custa cem meticais, e não há operadores que se oferecem a fazer essa rota.
Atija diz que o seu maior sonho é construir uma casa de alvenaria, ter uma viatura e conseguir estudos para os filhos.  Acha também que todas as mulheres deviam seguir o seu exemplo para que não morram na dependência do governo e dos empregos que não têm..
 

Um garimpeiro com gosto pelo samba

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Augustavo Alfredo nasceu na localidade de Luabo, no posto administrativo de Micaune, distrito de Chinde, província da Zambézia, a 7 de Abril de 1962, formado em mecânica, máquinas e ferramentas no Brasil, é pai de duas filhas, passa grande parte do seu tempo em Mavuco, mas é docente do na escola industrial de Nampula, onde se encontra desde 1983.
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Descida ao inferno à procura de turmalinas

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garimpeiroO cenário faz lembrar as fotos dantescas das minas da Serra Pelada no Brasil,  registadas magistralmente pelo fotógrafo Sebastião Salgado. Mas a areia dourada que se entranha todos os dias nos pulmões de centenas de aventureiros é em Mavuco, Moçambique,  um lugar danado e miserável onde os deserdados do futuro melhor tentam a sorte, desafiando a cada golpe de marreta e picareta os aluimentos que de imediato transformam a miragem das pedras preciosas em tumbas de morte.

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