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- Marcelino Macome será reconduzido, num processo que promete correr muita tinta

É descrito como tenso o ambiente que rodeia a realização, esta 5ª-feira, da assembleia geral do Comité Olímpico de Moçambique (COM), a julgar pelas informações em posse do SAVANA. Com efeito, contrariamente às expectativas iniciais que apontavam para  eleições renhidas e de desfecho imprevisível, o encontro vai circunscrever-se na legitimação de Marcelino Macome para presidente por mais um mandato depois de haver indicações de um outro concorrente de peso, ter sido aconselhado a não submeter a sua candidatura, alegadamente por não possuir cartão de membro de Partido.
Porém, o secretário geral do COM, Penalva César rejeita totalmente estas acusações, considerando-as falsas e de não ser este o modus operand da instituição.
A reunião, a decorrer, a partir das 16h30 nas instalações do COM, tem apenas como único ponto de agenda: a eleição de novos corpos directivos os quais vão dirigir aquele organismo nos próximos quatro anos.

Suspeição
Outra suspeição reside no facto de, até pouco menos de 24 horas do fecho da recepção de candidaturas, apenas Marcelino Macome, presidente no activo, ter sido o único a formalizar a inscrição.
Macome começou a dirigir o COM em 2002, perfazendo sete anos à frente dos destinos deste organismo, sendo que este deveria ser o seu segundo mandato mas, porque as eleições foram realizadas fora do quadro olímpico, a Assembleia Geral decidiu fazer as respectivas correcções harmonizando-as com o ciclo olímpico.

Promiscuidade
Para este pleito eleitoral poderão, de acordo com o regulamento, votar as 11 federações olímpicas, incluindo a de badmiton, que tem a sua sede na cidade da Beira.
Outras figuras com direito a voto são os membros da comissão executiva: o presidente, dois vices, secretário geral e ainda, Abel Matsinhe, Ludovina de Oliveira e Sarifa Magid, num total de nove. Esta última é presidente da Federação Moçambicana de Atletismo.
Quer isso dizer que na prática, depois que a comissão executiva apoiou a continuação de Marcelino Macome, este último precisaria, caso venham a surgir outros candidatos, de  dois votos para se sagrar vencedor uma vez garantidos os votos da comissão executiva, a menos que se abra excepção em relação ao peso de cada federação.
Provavelmente, esta pode ter sido a razão que fez com que, exceptuando o concorrente desaconselhado, até ao momento em que escrevemos esta notícia, apenas um candidato tivesse apresentado a sua candidatura, já que os outros concorreriam em larga desvantagem segundo o regulamento da votação.
A nossa fonte observou que, internamente podem até existir pessoas com qualidades para concorrer à presidência do COM.
“Até ao momento não apareceram candidatos de fora da instituição, e nós pensamos que não há razões  para se arranjar um outro indivíduo”, disse.
Penalva César explicou que o trabalho que está sendo realizado pelo actual elenco do COM é muito positivo.
”Há coisas que poderão mudar caso venha ser eleito porque nós queremos continuar a dirigir o barco para a mesma direcção”.
Segundo conta, em todas as instituições há falhas contudo, “como nós trabalhamos em bloco, facilmente podemos ultrapassá-las. O presidente continua a merecer toda a nossa inteira confiança”, frisou.
Apuramos que em princípio, Marcelino Macome (fazendo jus à teoria que defende que em equipa ganhadora não se muda), vai manter os actuais dirigentes nos postos que ocupam.

O peso do cartão  do partido
Entretanto, o SAVANA está na posse de informações que dão conta de um dos candidatos que havia manifestado interesse em concorrer ter sido desaconselhado a fazê—lo por pessoas próximas àquele organismo, alegadamente por não possuir cartão de membro do Partido no Poder. Trata-se de Óscar Jonasen Borges de Carvalho, licenciado em engenharia electrónica, e que já assumiu funções no Ferroviário de Maputo, Conseng e no próprio Comité Olímpico, entre 1978 a 1982.
O actual secretário geral do COM diz que nenhum candidato foi desencorajado a desistir de concorrer quer por questões partidárias como de outra índole.
“Não tenho conhecimento disso, penso até que não passa de uma grande mentira”, reagiu.
Esclareceu ainda que as eleições desta quinta-feira não têm cariz politico muito menos partidário, não sendo por consequência, importante a filiação de cada concorrente a uma determinada organização política.
“Não cabe no universo de forma de estar do  Comité Olímpico este tipo de procedimentos”, disse, para depois acrescentar que mesmo a título individual duvida que alguém fazendo parte desta estrutura tenha feito tais insinuações.

O que dizem as federações
O SAVANA pediu esclarecimentos de algumas federações olímpicas, as quais terão  seus representantes a votar nas eleições desta quinta-feira.
Feizal Sidat, da Federação Moçambicana de Futebol diz não estar a par das eleições por se encontrar fora do país, faz já algumas semanas.
“Estou na Argélia e só estarei no país a partir do sábado, para além de que não sabia que as eleições vão ser realizadas esta quinta-feira. Eu até pensava que só daqui a duas semanas é que as mesmas iriam acontecer”.
Por sua vez o presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol, Ilídio Caifaz, explicou que nunca desaconselhou a quem quer que seja.
“Não desaconselhei a ninguém”, reiterou.
Finalmente, Camilo Antão, da Federação Moçambicana de Voleibol quando solicitado a dar o seu parecer foi parco em palavras.
”Não sei de nada”, afirmou.

O programa de Óscar de Carvalho  
O programa –base de Óscar Jonasen Borges de Carvalho assenta em aspectos que têm a ver com a coordenação com o Governo na preparação das selecções olímpicas; estabelecimento de acordos de cooperação regional com vista a preparação olímpica; promoção e expansão da preparação coordenada através de competições com os CON da SADC e troca de experiência olímpica com os CON dos PALOPs.
Carvalho pretendia, igualmente, motivar a massificação do atletismo e promover uma competição anual sob os auspícios do CON e o mini básquete em coordenação com a respectiva federação.

Igualmente, Óscar de Carvalho, tinha em manga ideias para muitas das federações olímpicas, entre elas, a natação, andebol, voleibol, boxe, ténis.
 

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