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Savana - Desporto
Escrito por Paulo Mubalo   
Contrariamente às expectativas iniciais que apontavam ganhos substanciais para o país decorrentes da realização, na vizinha África do Sul, da copa de mundo 2010, reina no seio de alguns segmentos um misto de desespero e perplexidade tudo isto porque, à medida que a prova decorre, os benefícios tardam a chegar. E como tal as lamúrias fazem se ouvir um pouco por todos os lados: são as agências de viagens que se queixam da falta da clientela, idem os serviços hoteleiros até ao simples vendedor de artigos de artesanato.

O SAVANA fez uma ronda por algumas agências de viagem, hotéis, transportadoras nacionais e internacionais, vendedores de artigos de artesanato, entre outros, e constatou que a procura é menor. De permeio as nossas fontes indicam como prováveis causas o custo de vida e a subida do rand.

Antecedentes
Com a disputa do Mundial Moçambique esperava atingir níveis sem precedentes em termos de número de turistas- um pouco mais de um milhão- tendo em conta que o sector é tido como uma importante fonte de receitas. O ministro do turismo, Fernando Sumbana, sempre defendeu o desiderato de que o país tem tudo para tirar ganhos com a copa do mundo dai os novos investimentos feitos para além de  várias iniciativas viradas para a  promoção e maximização das oportunidades existentes.

Mas esta expectativa inicial começou a desvanecer muito cedo. No início deste ano, o Ministério do Turismo reconhecia, pela primeira vez, que Moçambique tinha cada vez menos possibilidades de tirar grandes dividendos da realização do Mundial de Futebol. Com efeito, já eram visíveis sinais de preocupação: a reserva de pessoas de vários países, mesmo da própria África do Sul, que pretendiam vir a Moçambique. A grande expectativa que existia em termos de visitantes, mesmo na África do Sul, não estava a encontrar uma resposta e num encontro recente, antes do mundial, chegou-se à conclusão de que alguns frequentadores da África do Sul iriam evitar deslocar àquele país durante o mundial por causa da movimentação. E a própria Federação Internacional de Futebol (FIFA), já havia reconhecido que este evento estava em risco de ser assis-tido por um número muito reduzido de adeptos, em consequência do reduzido número de voos para a África do Sul.

Estimativas

Inicialmente, a FIFA estimava em um milhão o número de adeptos que deslocar-se-iam à África do Sul para assistir ao Mundial. Este número reduziu para apenas 450 mil.  O nosso país esperava conseguir atrair até 10 por cento dos turistas que visitariam a África do Sul. Estimativas indicavam que perto de 600 mil turistas visitassem a região Austral de África e 20% destes Moçambique. Dados preliminares apontam que o país recebeu o ano passado cerca de 2.700.000 turistas. Em termos de contribuição para os cofres do Estado no mesmo período, o sector produziu 200 milhões de dólares americanos. Mas uma das causas que também pode ter concorrido para a redução do número de turistas é o atraso na conclusão de alguns empreendimentos no país, quer hoteleiros como desportivos.

O que dizem as agências
Muitas pessoas que se deslocam para assisitir ao campeonato de Mundo vão via terrestre ou por viaturas próprias dispensando serviços de agências de viagem. As poucas agências que tiveram alguns ganhos são as que possuem transportadoras, casos da Intercape e da Pantera Azul. Mesmo assim o movimento de chegada e partida de turistas não é elevado. Quase todos os hoteis que eram supostos estarem, nesta altura com a lotação esgotada ainda continuam com quartos disponíveis para acolher turistas. Outros que não estão a tirar muitos ganhos são os vendedores de artigos de adorno.

Relatos provenientes de algumas províncias do país mostram o mesmo quadro, exceptuando algumas regiões, como o arquepélago de Bazaruto.  E se os moçambicanos choram, os sul-africanos também estão a chuchar o dedo. Nas ruas de Joanesburgo o negócio mais rentável, como o SAVANA apurou recentemente é das vuvuzelas, as quais são vendidas em todas as esquinas daquela cidade.

Na nossa área não há negócio
— Rui Pires, da Nar Serviços Para Rui Pires, da Nar Serviços, o elevado custo de vida pode estar a contribuir para que poucas pessoas assistam ao vivo o mundial ou que turistas venham ao país. “Na nossa área não há nada de especial”, disse para depois explicar que alguns turistas que vão a África do Sul assistir aos jogos do mundial tratam as coisas muito antes, não precisando dos serviços de agências.
Contou que da forma como as coisas se apresentam não vê nenhuma diferença entre este ano com o do mundial em termos de procura de serviços.

Ganhos talvez na hotelaria
- Zaina Abudo, da KDBS
Para Zaina Abudo, da KDBS, o movimento é igual ao dos anos sem o mundial. Explica que não é possível todos tirarem benefícios tendo em conta a natureza de cada serviço.
“A nossa espectativa era que muita gente procurasse os nossos services, mas sendo que o Mundial é disputado na vizinha África do Sul é compreensível que muita gente que vai para aquele país recorra aos transportes terrestres”, Afirmou.
Entretanto, quase todos os hoteis de luxo e não só a nível da capital do país tem quartos ainda disponíveis.
 

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