Cultura
Em contacto com o SAVANA, o director do GABINFO, Ricardo Dimande, disse que não há lugar para que tenha havido interferência do GABINFO no trabalho do CFF, uma vez que este lhe deve obediência por ser uma instituição sob sua tutela. “Há fotos que nós mandámos substituir, mas não creio que isso seja interferência porque o CFF subordina-se ao GABINFO”, referiu o director. Por outro lado, Dimande, que se fazia acompanhar de duas funcionárias, desmentiu que a exposição tenha sido da iniciativa do CFF, tendo referido que foi de inteira autoria do GABINFO. “A exposição é do GABINFO”, disse Para Dimande, todas as críticas que se fazem à exposição só demonstram o mérito da mesma, tendo acrescetando que não cabe a si como autor de uma obra comentar quaisquer que sejam as críticas.
Mesmo assim, exibiu o livro de honra, onde, como referiu, aparecem mais elogios à exposição do que criticas negativas. O primeiro comentário que está no livro de honra é de quem inaugurou a exposição, o Primeiro-Ministro, Aires Ali. Depois segue-se o de Oswaldo Peterburgo, presidente do Conselho Nacional da Juventude, um órgão marcadamente atrelado à Frelimo.
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Que a exposição de fotografia “Moçambique: 35 anos de Independência Nacional – Ontem e Hoje”, realizada semana passada, no espaço da Associação Moçambicana de Fotografia (AMF), foi um autêntico marco histórico não é novidade para ninguém, a avaliar pelo conjunto de críticas positivas e negativas que se fizeram às obras que lá foram expostas. O que poucos sabem é que por detrás de tantas críticas está instalado um clima de mal-estar entre o Centro de Formação Fotográfica (CFF) e o Gabinete de Informação (GABINFO), com o primeiro a acusar o segundo de interferir para dar destaque às imagens do governo do dia em detrimento da verdadeira história dos 35 anos da Independência.
De acordo com fontes próximas da organização, aquilo que a exposição foi não tem nada a ver com o que tinha sido inicialmente concebido pelo Centro de Formação Fotográfica (CFF). Para já, vale a pena deixar claro que o Centro de Formação Fotográfica, dirigido por Biatrice Rangel, viúva de Ricardo Rangel, é uma instituição subordinada ao GABINFO. E que o GABINFO é subordinado ao gabinete do Primeiro-Ministro.
Inspirando-se nos ideais de Ricardo Rangel, a ideia inicial daquela exposição, com um total de 50 fotos, tinha em vista mostrar que Moçambique não é Maputo, mas o país inteiro, expondo fotografias de vários pontos do país real, contando a história dos 35 anos da Independência Nacional, sem precisar de dar maior ou menor relevância aos dirigentes. As nossas fontes garantiram-nos que quando o director do GABINFO, Ricardo Dimande, tomou conhecimento da preparação da exposição, tratou de “abocanhá-la”, supostamente para realizá-la de tal forma a agradar os seus superiores hierárquicos. Para tal, segundo os nossos informadores, Dimande terá invocado o seu poder, uma vez que o CFF subordina-se ao GABINFO, para impor a sua vontade, ignorando quaisquer aspectos de natureza técnica, artística e até mesmo histórica que caracterizam a realização de qualquer exposição. Contactada pelo SAVANA, a directora do CFF, Beatrice Rangel, não confirmou e nem desmentiu o que tanto se ouve dizer por ai, tendo preferido se manter em silêncio.
Em todo o caso, muita gente que foi ver a exposição não gostou da “brincadeira”, porque o resultado é o que se viu: dos 35 anos da Independência Nacional, a presidência de Guebuza, actual chefe do Estado, ocupou cerca de cinco anos desse tempo, mas na exposição teve mais de metade das fotos. Mais: a Samora Machel, o carismático primeiro Presidente do país e hoje idolatrado por muitos, foram reservadas quatro fotos. Mais ainda: Joaquim Chissano, que esteve 18 anos no poder, apenas seis a sete fotos.
Inaugurada com toda a pompa e circunstância pelo Primeiro-Ministro, Aires Ali, sem que tenha faltado o corte da fita vermelha, a exposição foi pobre no que diz respeito à ausência de uma sequência lógica dos acontecimentos. Por exemplo, no meio dos anos 80, surge uma fotografia de uma parada militar dos tempos de hoje, a qual o jornalista João Vaz de Almada, no seu editorial no jornal “@verdade”, considerou um “desconcertado anacronismo”, uma vez que as paradas militares típicas dos anos 80, particularmente as do Dia das Forças Armadas,contavam com mísseis, tanques, carros de combate e toda a parafernália militar típica dos regimes que se inspiravam no socialismo do tipo soviético. Por outro lado, os 15 anos de marxismo-leninismo da República Popular de Moçambique passaram praticamente despercebidos, não há nenhuma fotografia do III Congresso, onde se proclamou o marxismo-leninismo como doutrina oficial do Estado e a Frelimo como partido de vanguarda, nem uma fotografia das visitas dos camaradas do Leste, nem uma dos grupos dinamizadores, nem das guias de marcha, nem das rusgas nocturnas, nem das aldeias comunais, nem da Operação Produção ou dos Campos de Reeducação. Com efeito, do consulado actual, Guebuza enche a exposição com fotos de presidências abertas, empreendedorismo do mundo rural, revolução verde, combate à pobreza absoluta, revolução verde e, claro, ponte Armando Emílio Guebuza.
1. LL rebuscou as imagens que a sua memória não conseguiu dispensar e brindou-nos com este romance publicado com a chancela de uma editora portuguesa, a Quetzal Editores. Já lá vão 9 anos, desde que a obra veio a público e que, devido à veia criativa do autor, nos foi permitido, mais uma vez, concluir que a literatura pesa na formação de uma pessoa com peso de ouro.
2. É isso: Existe um escritor em cada moçambicano, mas grande parte prefere ler – e a maior parte dessa talvez nem ler. Como consequência, temos uma insuficiência no número de escritores e mensageiros e, logo, de leitores. Este livro vem abanar um pouco esse status e mostrar que, muitas vezes, faz bem à nossa cultura aparecerem novos autores a vomitarem de sua justiça. Boa!
3. “O Chefe levantou-se e serviu-se do topo de uma cadeira vazia da coxia para pousar a pasta, abri-la, analisar e assinar, um a um, todos os documentos aí contidos. Os passageiros, impacientes, murmuravam ruidosamente. O chefe mantinha-se sereno, absorto no conteúdo dos documentos que rabiscava com uma caneta dourada de tinta permanente”.
4. A escrita profunda vive sem insultos, ofensas, palavrões. Neste livro, recorre-se ao culto da língua – palavra - verbo que o suposto advogado (solicitador), qual assistente jurídico de hoje, utiliza nas suas incursões, para impressionar os clientes; só que (o peixe morre pela boca) acaba por baralhar o juízo do administrador da sua zona e terem que fugir porque ia ser preso e executado sem direito à defesa. Saber muito atrapalha os outros.
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O grupo teatral Mahamba – Criações e Produções Artísticas (CPA) vai apresentar, ainda no decurso deste mês, a peça “Culpado?”. A exibição, que se enquadra no ambito das celebrações do seu 15º aniversário, resulta de um texto da autoria de Dadivo José, sob direcção de Maria Atália (Zinha). “Culpado?” conta com as interpretações de Dadivo José e Ambrósio Joa, enquanto a música está a cargo do percussionista Dominguinho e do guitarrista Julinho. De acordo com Belmiro Admugy, responsável pela produção, “Culpado?” é uma pergunta frequente nas mentes humanas. “Questionamos a nossa culpabilidade porque acreditamos que ao inocentarmo-nos, podemos ter alguma tranquilidade nas nossas consciências, acreditar que podemos reunir argumentos bastantes para nos justificarmos perante o olhar inquisidor dos outros. Mas, perante a acusação do Eu escondido dentro de cada um de nós, qual será a desculpa?”, inquiriu-se.
O produtor acrescentou que as pessoas tendem a acreditar sempre que a culpa é dos outros, daí que só cumprem ordens. No seu entender, não será por acaso que vale a pena questionar se quem ensina a contemplar o bem, também o faz em relação ao mal. A discrição é ainda mais elucidativa: “Eu cumpri a minha parte; combati um bom combate, mas certamente o meu relatório não será entregue a ninguém. O meu relatório deve ser rasgado… sim, deve ser rasgado, porque só agora, 18 anos depois, é que celebro o meu 4 de Outubro. Tudo o que quero é reencontrar o meu filho…
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A utilização de uma obra intelectual tem que ser paga. É também com este posicionamento peremptório que o músico Jaime Guambe está na corrida para o cargo de secretário geral da Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS), esperando fazer o seu mandato com acções que vão desde a pressão ao governo para a ratificação da Convenção de Berna, a sensibilização dos artistas sobre a necessidade de conhecerem melhor a legislação que protege os direitos autorais até à invasão das rádios e televisões privadas para a retirada das músicas que tocam sem que os respectivos autores ganhem por isso.
Depois de Salimo Muhamad ter abandonado o cargo de secretário geral da SOMAS, a sociedade esteve a funcionar sem um secretário geral. Recentemente, a direcção executiva, dirigida por Alfredo Chissano, convocou os associados para a realização da assembleia geral que deverá eleger o novo secretário geral e seu elenco. Embora o acto, anteriormente previsto para o passado dia 29 de Maio, tenha sido adiado para esta sexta-feira, pelo facto de não ter havido, no entender de uma parte dos autores, uma grande difusão da informação junto dos artistas e das suas associações, o que fez com que participassem somente 15 artistas de um total de 133 inscritos, não restam dúvidas de que a corrida está lançada.
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