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No entanto, o FMI, no seu relatório, tece rasgados elogios as autoridades moçambicanas “pelo sucesso na implementação do seu primeiro PSI trienal”. Enfatiza que apesar do ambiente externo difícil – primeiro o choque dos preços dos alimentos e do petróleo e depois a crise financeira mundial – o Governo moçambicano conseguiu manter a economia no rumo certo através de políticas fiscais e monetárias adequadas. “O seu tradicionalmente prudente conjunto de políticas deu-lhes espaço necessário para responder com flexibilidade a estes choques exógenos”, elogia o FMI. “No geral, Moçambique tem as características de país em fase avançada de estabilização, com forte crescimento económico, inflação baixa, reservas externas confortáveis e dívida sustentável”.
NOTÁVEL RESISTÊNCIA
Os elogios do FMI ao Executivo moçambicano não param por aqui. Aquela instituição financeira afirma que Moçambique demonstrou uma resistência notável à crise financeira mundial. Recorda que o desempenho de económico de Moçambique em 2009 foi mais forte do que o previsto. Este dinamismo, segundo o FMI, foi alavancado também pelo aligeiramento das políticas fiscal e monetária por parte das autoridades. O PIB real cresceu 6,6 por cento em 2009, acima das previsões, devido ao forte desempenho dos sectores de construção, energia e financeiro. As grandes quedas aconteceram nas receitas de exportações e na entrada de capitais privados, mas o impacto nas reservas externas foi atenuado pela alocação de fundos de protecção contra os choques exógenos.
Salienta que o Governo moçambicano demonstrou uma apropriação exemplar do programa elaborado pelo FMI, alcançando uma sólida implementação e consecução de objectivos macroeconómicos. Contudo, subsistem dificuldades na previsão da procura de moeda devido à rápida expansão dos serviços bancários nas áreas rurais, o que, conjugado com uma política monetária mais flexível no ano passado para ajudar a economia a ultrapassar as crises mundiais, determinou o incumprimento da meta de base monetária para o fim desse ano – para o qual as autoridades solicitaram uma dispensa. Volta a lembrar que a economia interna resistiu bem à situação, com o correcto aligeiramento, pelas autoridades, das políticas fiscal e monetária em apoio à actividade económica. “Em especial, a política monetária mais flexível ajudou a substituir os empréstimos externos por crédito interno num momento crucial, o que, conjugado com as tradicionais dificuldades de prever a procura por moeda num país em transição para uma economia bancarizada, levou o BM a exceder a meta da base monetária no fim de Dezembro de 2009”. Aliás, o BM está, nos últimos tempos, empenhado em limitar o crescimento monetário em 2010.
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